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O IMPACTO DA VIRTUALIZAçãO NA INFRA-ESTRUTURA DE TI



 

O mercado de virtualização vem amadurecendo rapidamente. A tecnologia em si não é nova, afinal já existia desde os mainframes IBM na década de 60. Em meados dos anos 90, a tecnologia ressurgiu. A VMWare foi fundada nessa época, e em pouco mais de 10 anos, conseguiu se firmar como uma das principais empresas do setor de TI. Inicialmente, o apelo das soluções de virtualização foi no segmento de desenvolvimento e teste de software, onde ela torna os processos de trabalho muito mais convenientes. À medida que os servidores foram ficando mais poderosos, a solução foi encontrando seu lugar nos datacenters corporativos.

A grande mudança ocorreu nos últimos dois anos. Em primeiro lugar, os servidores começaram a crescer de uma forma que favorece a virtualização. A tecnologia “multicore” permite que um único servidor físico trate várias VMs com maior flexibilidade e performance. A quantidade de memória endereçável pelas CPUs de 64 bits favorece a alocação dinâmica de recursos entre as VMs. Atentas ao movimento, fabricantes como Intel e AMD incorporaram aos seus novos chips funções exclusivas para facilitar o suporte à virtualização nativa em hardware. Para as CPUs tradicionais, novas técnicas como a “paravirtualização” também foram criadas, melhorando o desempenho do sistema virtualizado.

Em segundo lugar, a tecnologia de virtualização começou a invadir outros segmentos, como storage e networking. Sistemas de armazenamento virtualizados permitem a alocação de recursos de storage de forma flexível, consolidando os dados em um único sistema, mas preservando o gerenciamento e o acesso em separado. No ambiente de rede, a mudança é ainda mais pervasiva. Alguns equipamentos mais recentes suportam até mesmo a criação de “switches virtuais”, logicamente isolados, dentro de uma única caixa.

Para o gestor de TI, uma infra-estrutura de TI virtualizada traz muitas vantagens. A mais notável é a simplificação do gerenciamento dos recursos do datacenter. Usando a tecnologia de virtualização, é possível consolidar os investimentos e distribuir os serviços dinamicamente. Servidores de alta qualidade podem ser adquiridos e ter seu custo dividido entre as várias aplicações virtuais que eles irão suportar. A soma de todas as demandas geralmente pode ser atendida com uma quantidade menor de recursos do que seria necessária para diversos servidores isolados. Além disso, demandas momentâneas ou imprevistas podem ser alocadas de forma flexível, sem necessidade de novos investimentos. O resultado pode ser medido tanto na redução dos investimentos, como também na economia indireta de energia, espaço físico, climatização e outros recursos associados.

A virtualização também torna a gestão de TI mais ágil. Atividades que antes demoravam semanas para ser realizadas podem ser feitas em poucos minutos. A compra de um novo servidor departamental levava meses, primeiro para o processo de compra – sempre lento e burocrático - e depois para entrega e instalação. Hoje em dia, se houver recursos de máquina disponíveis que possam ser alocados, uma nova VM pode ser criada com poucos cliques. Também existem aplicações que hoje podem ser entregues na forma de VMs, tanto para teste (simplificando em muito o processo) como para instalação definitiva. Essas VMs são muito mais fáceis de implementar e gerenciar do que seu equivalente em hardware físico.

O ganho em termos de robustez e disponibilidade também são fantásticos. A virtualização permite a implementação de uma política de continuidade de negócios de eficácia comprovada. A recuperação pode ser feita com grande rapidez, mesmo em um datacenter remoto. Ao reduzir a dependência das características físicas do equipamento, torna-se possível recuperar toda uma operação de TI em um hardware totalmente diferente do original. É um benefício que por si só vem justificando boa parte dos projetos de virtualização realizados hoje em dia.

É claro que existem desafios à vista. Um efeito colateral importante, sentido por muitas equipes de TI, é que a virtualização “abre as portas” da demanda reprimida. Quando um servidor demora dois meses para ser entregue, muitos clientes mudam de idéia. Mas quando eles sabem que é possível criar uma VM em minutos, a demanda aparece. Esse fenômeno gera pressão sob a área de TI, mas é na verdade a manifestação de uma necessidade real da empresa, e comprova que a virtualização pode trazer resultados positivos para os negócios ao viabilizar a implantação de novos serviços e processos internos que antes eram inviáveis.

O licenciamento de software é outro ponto afetado. As licenças de software costumam ser atreladas a CPUs físicas, causando problemas de interpretação do que isso significa no ambiente virtual. Algumas empresas já modificaram seus contratos de licença, mas com isso geram outro problema, que é a cobrança “dupla” de licença para manutenção de cópias “standby” de uma VM para recuperação de desastres. Não existe ainda um padrão, e a análise precisa ser feita caso a caso.

Independente dessas questões, a virtualização é uma tecnologia que hoje traz vantagens significativas para a área de TI de qualquer empresa. Existem desde soluções escaláveis de pequeno porte, para empresas que possuem apenas um servidor, até soluções completas para datacenters de grande porte. Os benefícios são democráticos, e permitem que a gestão de TI deixe de se preocupar com ativos físicos e concentre sua atenção nos níveis superiores – sistemas e aplicações, que é onde ela pode gerar mais benefício para o negócio da empresa. Em resumo, a virtualização ajuda a TI a se alinhar com o negócio, e não há nada mais importante em gestão de TI do que isso.
 

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